Amanhecia e anoitecia e eu ainda não havia pensado em nada , nada que não começasse ou terminasse em Kons-tan-ti-ne .
Permaneci talvez por dias sentado na beira da cama olhando as caixas de papelão que não foram usadas porque ela tinha poucas coisas pra levar.
Enquanto as estações mudavam e o vento , a chuva e a neve chegavam pelas janelas abertas e presenciavam o desespero que me escorria pelas têmporas incrédulas.
Um dia eu tentei me deitar , e o cheiro dela infestava os lençóis , as cortinas , as fronhas nos travesseiros , os cobertores e até mesmo os que estavam nos armários que ela provavelmente nem tinha chegado a usar , mesmo estes , estavam impregnados com o seu cheiro .
Perturbado eu tentava me levantar mas então via a minha pequena numa imagem quase transparente , como um fantasma , atravessando as paredes , do jeito que ela sempre quis , mudar de um cômodo pra outro sem usar as portas.
Porque Konstantine não gostava de portas ou passagens , minha pequena gostava de inventar , de rastejar , de ir pelas frestas , como brisa , como uma ventania as vezes , ou como água , pelos furinhos , pelos cantos , linda , doce e irreal.
Penso se eu havia enlouquecido , inventado a minha pequena garota ou envenenado pelo seu encanto e ainda agora não sei responder , não sei nada.
Só tenho a plena e estranha certeza de que ainda agora , se eu olhar para as escadas , verei Konstantine descendo-as , trajando o vestido azul-claro da formatura no verão passado.
E logo abaixo , impaciente , já com a porta entre aberta a sua espera , estará o meu sorriso entorpecido pelo oceano em seus olhos e seus passos leves , pedindo 'vamos querida , não queremos perder a primeira dança , você está linda outra vez , venha comigo'.
Não sei em que parte me perdi . Konstantine com o mesmo sorriso irreal , de porcelana , colocava suas pequenas coisas dentro das caixas e lágrimas de açúcar cruzavam o céu abaixo do oceano de seus olhos infantis , e ainda assim ela não parava de sorrir e .
Minha Konstantine se foi , como se vai o vento , pelas frestas , pelos furinhos das janelas , pelos cantos , atravessando as paredes com os fantasmas de seus antepassados , com as partículas indecifráveis que estão por todo o ar , assim como se vão as gotas de chuva , assim como elas secam quando a droga do sol aparece outra vez e me faz perceber que amanheceu outra vez e eu não sei onde ela está, não consigo imaginar onde estará , quem a levou ?
Porque é que ela se foi ? Minha Konstantine.
Continuarei a viver falsamente com o mesmo sorriso cristalino de minha amada , trabalhando , dando bom dia aos vizinhos , tendo outras namoradas , me perdendo no formato das nuvens , me ferrando para pagar as contas e viver sozinho sem a ajuda de ninguém , mas sempre que tudo fugir do controle e eu me sentar nos degraus da porta da frente aos prantos , ainda sem seus olhos de oceano , eu olharei para as escadas e verei Konstantine descendo-as trajando o vestido azul claro da formatura.
Permaneci talvez por dias sentado na beira da cama olhando as caixas de papelão que não foram usadas porque ela tinha poucas coisas pra levar.
Enquanto as estações mudavam e o vento , a chuva e a neve chegavam pelas janelas abertas e presenciavam o desespero que me escorria pelas têmporas incrédulas.
Um dia eu tentei me deitar , e o cheiro dela infestava os lençóis , as cortinas , as fronhas nos travesseiros , os cobertores e até mesmo os que estavam nos armários que ela provavelmente nem tinha chegado a usar , mesmo estes , estavam impregnados com o seu cheiro .
Perturbado eu tentava me levantar mas então via a minha pequena numa imagem quase transparente , como um fantasma , atravessando as paredes , do jeito que ela sempre quis , mudar de um cômodo pra outro sem usar as portas.
Porque Konstantine não gostava de portas ou passagens , minha pequena gostava de inventar , de rastejar , de ir pelas frestas , como brisa , como uma ventania as vezes , ou como água , pelos furinhos , pelos cantos , linda , doce e irreal.
Penso se eu havia enlouquecido , inventado a minha pequena garota ou envenenado pelo seu encanto e ainda agora não sei responder , não sei nada.
Só tenho a plena e estranha certeza de que ainda agora , se eu olhar para as escadas , verei Konstantine descendo-as , trajando o vestido azul-claro da formatura no verão passado.
E logo abaixo , impaciente , já com a porta entre aberta a sua espera , estará o meu sorriso entorpecido pelo oceano em seus olhos e seus passos leves , pedindo 'vamos querida , não queremos perder a primeira dança , você está linda outra vez , venha comigo'.
Não sei em que parte me perdi . Konstantine com o mesmo sorriso irreal , de porcelana , colocava suas pequenas coisas dentro das caixas e lágrimas de açúcar cruzavam o céu abaixo do oceano de seus olhos infantis , e ainda assim ela não parava de sorrir e .
Minha Konstantine se foi , como se vai o vento , pelas frestas , pelos furinhos das janelas , pelos cantos , atravessando as paredes com os fantasmas de seus antepassados , com as partículas indecifráveis que estão por todo o ar , assim como se vão as gotas de chuva , assim como elas secam quando a droga do sol aparece outra vez e me faz perceber que amanheceu outra vez e eu não sei onde ela está, não consigo imaginar onde estará , quem a levou ?
Porque é que ela se foi ? Minha Konstantine.
Continuarei a viver falsamente com o mesmo sorriso cristalino de minha amada , trabalhando , dando bom dia aos vizinhos , tendo outras namoradas , me perdendo no formato das nuvens , me ferrando para pagar as contas e viver sozinho sem a ajuda de ninguém , mas sempre que tudo fugir do controle e eu me sentar nos degraus da porta da frente aos prantos , ainda sem seus olhos de oceano , eu olharei para as escadas e verei Konstantine descendo-as trajando o vestido azul claro da formatura.
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