Novamente aqui, perante ao dilema de não mais saber lidar tão bem com as teclas e letras e acentos e pontos. De novo o gosto amargo de ferrugem, de sangue, na boca. De novo o gosto azedo do meu sulco gástrico de toda a vida, escalando as paredes da minha garganta com uma destreza tremenda. Entretanto meus dentes prendem-se bem, os de cima com os debaixo, e rangem, esfregam se. E começo a suar, e a tremer, meu pensamento fica confuso e acelerado. Não sei mais o que é certo pensar, não sei mais se quero tudo que queria ontem. Certamente não posso fugir agora, posso ? Eu queria muito fugir. Quis muito fugir na noite passada, durante a madrugada gelada de começo de outono. Queria abandonar essa casca, essa vida, esses planos que essa outra eu fez enquanto tentava calar meu eu mais forte que sempre quis fugir, não fazer planos e desapegar- se do pouco restante. Não tenho certeza, não sei se dói. Mas sufoca outra vez. Dedos grandes e grossos me enforcam, ruas desconhecidas e vozes grave...
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