Me escreverei cartas de amor.
Entendi que preciso me libertar da necessidade de estar sempre ligada a alguém. Sempre em contato com alguém. Triste hábito que a ansiedade me trouxe desde muito cedo. A ideia de que só estaria segura com outra pessoa me cuidando, falando comigo, fazendo com que eu mantivesse contato com algo externo a mim, uma espécie de âncora para o caso de eu me perder dentro de mim. Que traz justamente esse efeito: âncora, peso. Ninguém deve ocupar esse lugar, porque ele não deve existir. Logo, ele jamais funciona. Ao longo dos anos, muitas pessoas que eu amei me deixaram aos pedaços, em qualquer tipo de relação — principalmente de amizade. Eu queria estar sempre ao lado, para tudo, sendo ingênua, já que isso não é possível. Em nenhuma relação isso existe. Aliás, existe: a relação consigo mesmo. Esta precisa ser sempre nutrida e bem cuidada. Estarei comigo até o fim, minha única obrigação é comigo. Eu cresci achando que a forma mais bonita de amar era amar alguém incondicionalmente, com todas as s...