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Uma carta. Que precisa esperar um pequeno ser humano crescer e ser alfabetizado pra poder ser lida.

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Querida Ariel. Não me lembro o dia exato em que soube que sua mãe havia chegado na cidade. Mas consigo me lembrar detalhadamente do dia em que começamos a tecer esse laço dourado que tem nos unido. Era dia 20 de agosto de 2008. Havia uma festa muito grande naquela cidade, e durante essa festa, uma feira de bijuterias e roupas ficava montada na praça central. Sua mãe tinha o cabelo curto, desfiado, cor de rosa. Usava uma camisa de mangas compridas listrada de preto e branco. Estávamos em um grupo enorme. Éramos todos amigos, nos divertíamos muito e nem fazíamos idéia de onde nossa vida podia nos levar. Naquele dia eu me lembro de ter sorrido bastante, me lembro de correr muito da sua mãe porque estava com nojo, ela queria me beijar, [risos] Mas era só brincadeira. Corri tanto que deitei no chão, daí ela veio, com uma outra amiga também e me beijou e me fez cócegas, pulou em mim.. Foi um momento muito inocente e espontâneo. Muita coisa aconteceu depois daquele dia. Aquele extenso g...

Texto antigo encontrado nos rascunhos.

Sinto que te procurei. Tentei sentir seu cheiro nas bordas dos copos em que me afoguei. Cacei teus olhos no caminho misterioso que o fio de fumaça dos meus cigarros faziam, rumo ao infinito escuro do céu noturno. Procurei um abrigo teu em meio as minhas crises... solitárias e desesperadas. E penso que, em sonhos, num lugar muito inconsciente de ti, tenhas assistido me enquanto pintava os olhos com sorrisos poucos satisfeitos com o meu, com expectativas que eu não soube alcançar. E que agora, descubro lentamente, que não eram nem de longe, o que de perto eu pensava ver. A princípio, interpretamos algum tipo de dança.. um ritual.. como animais que se olham.. se rodeiam.. se cheiram.. e silenciam. Usei muito do faro até reconhecer te como não ameaça. Pra só então, avaliar te os olhos e checar teus antecedentes..quase criminais. Já fui ingênua e doce um dia. Acreditei que, se eu tivesse amor, meu objeto de desejo, também teria. Amei tanto, Tão errado. Tão torto, tão dolorido. Que, ...

Atirei me ao mar.

Conto as teclas. Conto os números, as letras, os símbolos, conto quantas combinações são possíveis. Tem sido assim a minha busca por amontoados de palavras que expliquem ou expulsem de mim o que tenho vivido. Não que tenha sido ruim. Mas precisa ser ejetado... Meu corpo é um barco. Tem dias que ele acorda furado e entra muita água... o barco vira, seus tripulantes engolem muita água, os mapas se perdem, as lunetas, os tesouros, as sereias... Vez ou outra o barco amanhece forte. A água das ondas não alcança as bordas e... Também tem dias que o barco fica vazio... e dá pra ouvir a melancolia das ondas quebrando sozinhas.. levando-o para onde o olho não alcança... no coração do oceano. Existe um tripulante no barco que eu vivo tentando proteger da fúria do mar. Ele chegou a pouco tempo e não sabe lidar muito bem.. Não quero que ele vá embora, mas... com certa frequência seu olhar me questiona. Porquê tanta segurança? Assim ele se atira contra as ondas e sorri. Sorri. Um sorriso b...
Eu sempre sei a altura.  E mesmo assim eu sempre pulo.  De cabeça e olhos fechados.

Por fim...

Sopro a fumaça para cima procurando alguma magia nos meus gestos escuros. Peço desculpas pelas lágrimas que me escorrem sem querer. Peço desculpas sempre, por tudo que fiz e agradeço pelo pouco que recebi. Imagino como seria minha história se as mentiras das pessoas funcionassem comigo. Doeria menos ? E pensar que um dia procurei sentido na vida.. em viver.. em estar viva. Paro. Respiro. Dói. Os livros que eu não li, os que deixei pela metade, os que me preencheram, os que me fizeram chorar. As gavetas .. abarrotadas de lembranças de todas as pessoas que conheci. Minhas fotos antigas, meus diários de criança...Alianças. Pequenos laços, cartas, bilhetes. Essas coisas velhas que eu não sei como jogar fora, eu não sei como queimar e continuar vivendo como se aquilo nunca tivesse existido. É como não me conformar nunca com tudo que acontece. Algumas fotos eu rasguei, doeu demais. Rasgar não diminuiu nada. Só transformou em metáfora o que eu sentia : o peito rasgado.. os hemato...
É incrível, a cada noite, eu tenho mais certeza, de que nessa vida, nada me sossega. Nada me acalma o que quer que seja, que mora enjaulado dentro de mim, que as vezes grita, tenta se livrar da grade. Nunca consegue.

Meus olhos agora.

Eu não posso explicar , simples.  Não posso explicar essa sua morte que ocorre Em Meus Olhos Agora.