É incrível, a cada noite, eu tenho mais certeza, de que nessa vida, nada me sossega. Nada me acalma o que quer que seja, que mora enjaulado dentro de mim, que as vezes grita, tenta se livrar da grade. Nunca consegue.
Atirei me ao mar.
Conto as teclas. Conto os números, as letras, os símbolos, conto quantas combinações são possíveis. Tem sido assim a minha busca por amontoados de palavras que expliquem ou expulsem de mim o que tenho vivido. Não que tenha sido ruim. Mas precisa ser ejetado... Meu corpo é um barco. Tem dias que ele acorda furado e entra muita água... o barco vira, seus tripulantes engolem muita água, os mapas se perdem, as lunetas, os tesouros, as sereias... Vez ou outra o barco amanhece forte. A água das ondas não alcança as bordas e... Também tem dias que o barco fica vazio... e dá pra ouvir a melancolia das ondas quebrando sozinhas.. levando-o para onde o olho não alcança... no coração do oceano. Existe um tripulante no barco que eu vivo tentando proteger da fúria do mar. Ele chegou a pouco tempo e não sabe lidar muito bem.. Não quero que ele vá embora, mas... com certa frequência seu olhar me questiona. Porquê tanta segurança? Assim ele se atira contra as ondas e sorri. Sorri. Um sorriso b...
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Abraços