2015
Ônibus lotado. Endereço errado. Um mês e nada da correspondência chegar. Fala e raciocínio fora de sincronia. Calor. Esmola. Gastar dinheiro com livros nos dias de hoje.
Calcular o tempo que eu desperdiço esperando ônibus e esperando ser atendida pela moça do banco. Ler mais 5 páginas. Ajeitar a bolsa pesada no ombro. Colocar e tirar os óculos. Correr para atravessar a avenida. Pedir aos céus para não perder o ônibus.
Calcular quanto preciso juntar e em quanto tempo para fazer trezentas coisas. Subir 3 lances de escadas para beber água. Ir ao banheiro só para sentar e descansar as pernas. Pensar para escrever. Montar slide. Encontrar referências em todos os lugares.
Arrepiar ao ouvir uma música pela primeira vez. Aprender. Entender a vibe de quem consegue dormir em ônibus/trem/metrô. Digitar tudo isso no celular. Cabeça cheia demais para desligar. Crer no sonho. Sozinha.
Observar. Entender os caminhos e enxergar toda uma vida através de uma imagem: mulher magra, negra, 7 da manhã, lavando vidros de carro no sinal em troca de “o que você quiser dar”.
Preferência política. Que não influencia em nada. Pequenas epifanias. Livros sujos na caixa da mudança. Anotar telefones de classificados no jornal.
E correr. Lavar o rosto. Lutar para levantar. Vencer a tristeza. Ignorar o choro, enxugando-o logo na primeira lágrima, mesmo que o queixo trema de vontade. Nunca é uma boa hora.
Invejar os tiozinhos nos bares, falando alto, contando história, bafo de pinga antiga. Saudades de Porto Alegre sem nunca ter visto.
Fixar na mente: é a vida.
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