quinta-feira, 26 de março de 2015

2015

Ônibus lotado. Endereço errado. Um mês e nada da correspondência chegar. Fala e raciocínio fora de sincronia. Calor. Esmola. Gastar dinheiro com livros nos dias de hoje. Calcular o tempo que eu desperdiço esperando ônibus e esperando ser atendida pela moça do banco. Ler mais 5 páginas. Ajeitar a bolsa pesada no ombro. Colocar e tirar os óculos. Correr pra atravessar a avenida. Pedir aos céus pra não perder o ônibus. Calcular quanto preciso juntar e em quanto tempo pra fazer trezentas coisas. Subir 3 lances de escadas pra beber água. Ir ao banheiro só pra sentar e descansar as pernas. Pensar pra escrever. Montar slide. Encontrar referencias em todos os lugares. Arrepiar ao ouvir uma musica pela primeira vez. Aprender. Entender a vibe de quem consegue dormir em ônibus/trem/metrô. Digitar tudo isso no celular. Cabeça cheia demais pra desligar. Crer no sonho. Sozinho. Observar. Entender os caminhos e enxergar toda uma vida através de uma imagem: mulher magra negra 7 da manhã lavando vidros de carro no sinal em troca de "o que você quiser dar". Preferência política. Que não influencia em nada. Pequenas epifanias. Livros sujos na caixa da mudança. Anotar telefones de classificados no jornal. E correr. Lavar o rosto. Lutar pra levantar. Vencer a tristeza. Ignorar o choro enxugando-o logo na primeira lágrima mesmo que o queixo trema de vontade. Nunca é uma boa hora. Invejar os tiozinhos nos bares falando alto, contando história, bafo de pinga antiga. Saudades de Porto Alegre sem nunca ter visto. Fixar na mente: é a vida

2 comentários:

Ramon Assis disse...

A vibe para dormir no ônibus é a exaustão. O sono interrompido pelo alarme - o trabalho dita a vida - e a volta após tantos conflitos vividos em nome do emprego. Quando de fato começa o nosso dia? Ao meu ver, quando sento no banco do ônibus, á tarde, e finalmente penso um pouco em mim. O sono vem e logo me esqueço.

Jess Draven disse...

Acompanho há tanto tempo suas escritas, desde que você começou a escrever na verdade. Achei por descuido, e ao ler, nossa, fiquei sem reação, como você escreve tão, mas tão bem! A partir de então passei a acompanhar, daí não sei o que houve, mas parei de acompanhar alguns anos. Hoje, lembrei do seu blog, e resolvi procurar no google para ver se eu achava, procurei então "arraste uma cadeira" e te achei novamente :) Que bom que você continua escrevendo, mesmo com uma frequência menor que antigamente. Gosto dos seus pensamentos, obrigada por escrever.