terça-feira, 21 de janeiro de 2014

All I wanna say is that They don't really care about us .

Eles não se importam.
Não importa o que você veste, nem os sapatos que usa.
Não importa se você vende drogas ou não, se usa drogas ou não, se já fez um assalto ou não. Se tem mãe ou não.
Nada importa, exceto o fato de estar aqui. Pior ainda, se você morar aqui.
Pode estar apenas caminhando com o cachorro na coleira, sentindo o frescor da noite. Eles não vão se importar.
Só importa o fato de você não ter outro lugar para estar quando eles chegam.
Aqui, eles nos olham como se fossemos ratos.
Enquanto eles, trabalham para a compania de saneamento. Água e esgoto.
E o seu dever é manter o esgoto limpo. Sem ratos. Portanto, somos o estorvo.
Se não existissem ratos, eles poderiam comer suas rosquinhas e fazer cara de mau por aí, nos postos de gasolina, caminhando, fazendo suas botas de couro rangirem, ordenando que o som dos carros seja abaixado. Tudo na área limpa da cidade. Na nata. Na superfície.
Somos a Deep Web da vida real.
Se nós, os ratos, não existíssemos, eles não precisariam vir até o esgoto, assistir a degradação em massa, que jamais atingirá os seus lares. Seus belos filhos, jamais entupirão os narizes com a carga vinda da Bolívia, que os ratos revendem.
No entanto, não deve ter graça ser filho de um amante de rosquinhas; andar dentro das melhores roupas, ter a garantia de uma faculdade paga, sem preocupações.
Assim, no meio da madrugada, geralmente aos fins de semana, entre as bebidas mais caras e as moças mais bem-cuidadas, eles vem até o Esgoto.
Sim. Eles vem.
Alguns arranjam um coleguinha 20% rato, sabe? Descendente, quem sabe; para descer e fazer o pedido no Drive-Tru da máquina que tudo move. Enquanto que outros alimentam a historinha, e descem pessoalmente, pisando com seus solados limpos no meio do lixo.
E pedem. Conseguem imaginar essa cena nas suas mentes? É insano.
Eles caminham direto do útero de suas mães, que estudaram etiqueta e sabem usar todos os talheres no restaurante mais caro de qualquer cidade, para o esgoto. E PEDEM. Suplicariam, se fosse preciso.
Mas não é preciso. Porque as notas que pulam das suas carteiras para a mão do rato da vez, é que fazem a engrenagem funcionar.
O esgoto fica cada vez mais escuro, e os caras com as botas que rangem, não querem mais colocar suas bundas em risco. Não querem confrontar um rato. Geralmente, um ou dois. Que só não movem mais grana no país do que os impostos.
Então esses ratos, com coroas em suas cabeças, dão aos tementes pela própria bunda, uma fatia do queijo mofado.
O queijo que promove a miséria. A destruição de famílias, que nunca desejaram estar aqui. Que financia armas, que adiciona +1 na Cracolândia todos os dias.
E com essa fatia, eles não precisam entrar no esgoto. Trocam seus automóveis por modelos do ano e não correm o risco de encontrar seus pequenos princípes, futuros jogadores de futebol, orgulhos da mamãe, trocando todo esse lindo sacrifício por duas bucha de cinco.

Um comentário:

Jéssica Gomes disse...

você sempre surpreendendo.